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quinta-feira, dezembro 14, 2017

Matérias-primas encontradas no lixo eletrônico

Dentro de equipamentos eletroeletrônicos jogados no lixo são encontradas matérias-primas preciosas, como ouro, prata, paládio, além de cobre e alumínio, mas apenas uma pequena parte desses metais é reciclada.

O desenvolvimento de novas tecnologias cresce de forma exponencial em todo mundo, e com ele também aumenta a quantidade de lixo eletrônico produzida. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) destaca que estes equipamentos são compostos por diversos materiais que podem ser reutilizados ou reciclados, entre eles, metais preciosos.

Um telefone celular pode reunir até 40 elementos da tabela periódica, de acordo com o Pnuma. Cerca de 20% do peso destes aparelhos é metal, especialmente cobre. De acordo com a organização ambientalista Greenpeace, na pesquisa Minería y Basura Electrónica: El Manejo irracional de los recursos (mineração e lixo eletrônico: o manejo irracional dos recursos, em tradução livre), o tempo de vida útil deste tipo de equipamento pode chegar a dois anos. Para o computador, este prazo é de quatro anos em média.

Um artigo divulgado pela United Nations University (UNU) em parceria com a Global e-Sustainability Initiative (GeSI) ressalta que mais de 21 bilhões de dólares em ouro e prata são investidos na produção de equipamentos eletroeletrônicos, e a maior parte desses metais preciosos é desperdiçada – apenas 15% do ouro e da prata nesses equipamentos são reciclados. As chamadas minas urbanas de lixo eletrônico contêm uma quantidade de metais preciosos 50 vezes maior do que as minas encontradas sob o solo.

Até 2016, o volume de lixo eletrônico gerado no planeta pode chegar a 93,5 milhões de toneladas, segundo uma projeção realizada na pesquisa Global E-waste management market. A receita do mercado de manejo do lixo eletrônico deve passar dos 20 bilhões de dólares.

1. OURO
Na indústria, este metal precioso é utilizado especialmente no ramo da joalheria, mas também é aplicado na composição de diferentes equipamentos eletroeletrônicos. Segundo o Greenpeace, 48% da extração do ouro é destinada à produção de joias. Outros 40% são utilizados em operações financeiras e 12% para fabricar equipamentos eletroeletrônicos.
Por ano, a indústria mundial de equipamentos eletroeletrônicos investe cerca de 16 bilhões de dólares na compra de ouro. De acordo com o estudo da UNU e da GeSI, cerca de 50% do ouro encontrado no lixo eletrônico em países em desenvolvimento é perdido no processo de reciclagem. Nos países desenvolvidos, este percentual cai para 25%.

2. PRATA
A prata apresenta "forte resistência à corrosão e, dentre as substâncias conhecidas, tem a mais alta condutividade térmica e elétrica", atesta o Balanço Mineral Brasileiro. Por conta destas características, ela é utilizada para produzir diferentes produtos, como computadores, celulares, televisores, monitores e displays de plasma e LCD.
Um artigo publicado nos anais da Conferência Internacional sobre Aspectos Ambientais de Bangladesh (ICEAB10) indicou que entre 20% e 30% da demanda mundial de prata é destinada para a indústrica eletroeletrônica – anualmente, cerca de 7,5 mil toneladas, segundo dados da UNU e da GeSI. De acordo com o levantamento feito pelas instituições, a indústria mundial investe em torno de 5 bilhões de dólares ao ano na compra deste metal.

3. PALÁDIO
O paládio é encontrado na natureza e é um dos seis metais que compõem o grupo da platina. Estes materiais são considerados altamente eficientes. Além disso, mais de 96% do metal pode ser recuperado em processos de reciclagem. O paládio é empregado em componentes responsáveis pelo contato elétrico entre partes não metálicas de um circuito e no controle do fluxo de eletricidade. De acordo com a Associação Internacional de Platina (IPA, na sigla em inglês), ele é bastante utilizado por conta de sua condutividade elétrica e durablidade.

4. COBRE
O cobre é conhecido pela alta performance na condutividade elétrica e está presente em diferentes produtos, como computadores, celulares, tablets, smartphones e outros dispositivos móveis, além de televisores e refrigeradores. A Associaçao do Desenvolvimento do Cobre (CDA, na sigla em inglês) destaca que o principal uso deste metal é em aplicações elétricas, como a produção de fios esmaltados finos e superfinos.
O Greenpeace considera que praticamente 100% do cobre encontrado em materiais elétricos e eletrônicos pode ser reciclado. A organização ressalta que o processo de reciclagem deste material gera pouco ou nenhum resíduo. Outro benefício deste metal é a capacidade de ser reciclado inúmeras vezes, sem perder a qualidade.

5. ALUMÍNIO
O alumínio está presente em diferentes equipamentos eletroeletrônicos, como computadores, celulares e televisores. A reciclagem deste material é considerada por especialistas uma alternativa sustentável à extração primária. O Greenpeace destaca que para produzir 1 quilo de alumínio reciclado é gasto apenas um décimo da energia necessária para a produção primária. A reciclagem também evita a geração de 1,3 quilo de bauxita residual e 17,2 quilos de gás carbônico, entre outros poluentes.
De acordo com o Pnuma, o alumínio extraído a partir da sucata do lixo eletrônico pode ser novamente fundido para ser reutilizado pela indústria. A demanda por alumínio reciclado é ditada pela necessidade da indústria de transformação. Quando a procura diminui, cai também o interesse pelo material reciclado.
Fonte: Deutsche Welle - Data 06.07.2013

Comentário: Pense e repense no Meio Ambiente na hora de comprar um aparelho eletrônico

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segunda-feira, dezembro 11, 2017

Foz do rio Amazonas: Entre os corais e o petróleo

A desconfiança era antiga, de quem encontrava peixes borboleta, aqueles listradinhos, ao navegar nas águas turvas da foz do rio Amazonas. Mas o tesouro foi revelado apenas em 2016, com um estudo publicado na revista "Science Advances". Um recife de corais e algas calcárias que se estende do litoral do Maranhão até a fronteira marinha entre o Brasil e a Guiana Francesa, na altura do Oiapoque, no Amapá.
A descoberta que maravilhou os cientistas chamou a atenção para iniciativas de prospecção de petróleo em áreas próximas aos bancos de corais. O que ocorreria com a rica biodiversidade em caso de vazamento de óleo? A Total e a BP tentam conseguir licença ambiental para perfurar os primeiros poços na região. Além disso, o governo brasileiro promete leiloar novos blocos de exploração na área em 2019.
Agora, cientistas revelam que a área de corais é cinco vezes maior que o inicialmente estimado e pode estar sobre blocos de petróleo a serem leiloados.

AS RIQUEZAS DA FOZ DO AMAZONAS
O rio que cruza a maior floresta tropical do mundo não poderia ter um deságue no oceano Atlântico menos apoteótico. A foz do Amazonas é margeada por um dos maiores manguezais contínuos do mundo, localizado no litoral do Amapá, e possui à sua frente, perpendicularmente situada, uma extensa faixa de recifes de corais e rodolitos de mais de 1.000 km de extensão e 40 km de largura.
A área de corais conhecida no primeiro estudo era de 9,5 mil km². Agora, os pesquisadores estimam que os corais se estendam por uma área de 50 mil km² -- equivalente ao Estado do Rio Grande do Norte. Os corais são encontrados em até 200 metros de profundidade.
Tanto os manguezais quanto os bancos de corais possuem importância para o ambiente por serem locais de reprodução, fonte de alimentos e berçário para diversas espécies marinhas.
A pesquisa publicada no ano passado por uma equipe internacional confirmou o que já era indicado em outros estudos e em histórias de pescadores, que remontam à década de 1970.  "Quem pescava e dragava peixe, sabia que tinha coral. Só não se sabia se os recifes eram do tamanho de uma mesa ou da Barreira de Corais da Austrália. A novidade do estudo foi mostrar que é muito maior do que se imaginava", conta Ronaldo Francini, um dos cientistas que escreveu sobre os corais na "Science".

SEMELHANTE A ABROLHOS
Os corais são encontrados em até 200 metros de profundidade. "É comparável com Abrolhos (foto), talvez até maior e biodiversidade", diz Francini, em referência aos famosos recifes de corais encontrados no sul da Bahia. Na foz do Amazonas, as algas calcárias, esponjas -- algumas de mais de dois metros de altura-- e corais usam compostos inorgânicos, como ferro, nitritos e enxofre, para gerar a energia necessária para sobreviverem.

TRANSIÇÃO PARA O CARIBE
Além das espécies típicas de recifes de corais e espécies da costa brasileira, os corais da Amazônia revelam outras surpresas. "Encontramos espécies que se acreditava que só ocorriam no Caribe", afirma o pesquisador. Os especialistas acreditam que a região possa guardar outros tesouros. "Talvez exista uma continuidade de ecossistemas na costa brasileira, que vá do Maranhão ou de Abrolhos (foto) até o Caribe", especula o biólogo.

CENTENAS DE ESPÉCIES
A área tem uma enorme diversidade de peixes característicos de regiões coralíferas, como pargos-vermelhos e chernes. São 40 espécies de corais, 60 espécies de esponjas (29 desconhecidas) e 73 espécies de peixes. Passeiam pelas águas da foz do Amazonas ou próximo à costa golfinhos, baleias migratórias --como a orca e a cachalote--, diferentes tartarugas marinhas, ariranhas, lontras e peixes-boi.

PETROLEIRAS TENTAM LICENÇA AMBIENTAL
Exploração de blocos leiloados em 2013 seria feita em águas profundas

Em 2013, antes da publicação do estudo com a descoberta dos recifes de corais, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) realizou o leilão de concessões de blocos de exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. Ainda não está confirmada a existência do combustível fóssil no subsolo. Contudo, as empresas enxergam na área potencial de produzir 14 bilhões de barris de petróleo. No Pré-Sal, para efeito de comparação, a capacidade é de 163 bilhões de barris.

No entanto, as empresas que adquiriam blocos de petróleo ainda não conseguiram licença ambiental para iniciarem a prospecção. A francesa Total já teve três estudos de impacto ambiental negados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que solicitou complementações. A inglesa BP entregou um estudo, que aguarda parecer técnico.

O problema é que, para os órgãos do governo de fiscalização ambiental e o Ministério Público, a exploração de petróleo na foz do Amazonas traz riscos para os ecossistemas e para as comunidades que sobrevivem da pesca e de recursos do mar.

Um derramamento de óleo teria consequências devastadoras, como o possível "asfaltamento" dos corais da Amazônia com a deposição de resíduos do óleo.
Os estudos de impacto ambiental feitos pelas empresas são vistos como frágeis. Ao pedir complementações à Total, o Ibama apontou inconsistências nos modelos de dispersão do óleo em caso de vazamento para prever, a partir das correntes oceânicas, onde e como o óleo se dispersa em caso de um derramamento de petróleo.

A corrente mais proeminente leva as águas no sentido leste-oeste, na direção da Guiana Francesa. Contudo, as correntes mais profundas, pouco conhecidas, poderiam levar óleo para a costa brasileira. “Pescadores no Oiapoque dizem que já apareceu pedaço de foguete espacial na costa do Amapá, que veio da Guiana Francesa, onde tem plataforma de lançamento”, diz Thiago Almeida, especialista do Greenpeace em Energia.
A descoberta dos corais da Amazônia levou o Ministério Público Federal a solicitar a reabertura do processo de licenciamento ambiental do empreendimento de perfuração naquela região. “Ali há um bioma bem peculiar no mundo, um rio singular, com um ecossistema bem singular. O Ministério Público entende que tem que ter um aprofundamento dos estudos para dimensionar de forma honesta os impactos”, explica Joaquim Cabral, procurador do MPF do Amapá.

Para a ANP, a área pode ser explorada desde que devidamente. “Não há nenhuma restrição para operar na Foz do Amazonas e Pelotas, porque todas as áreas que a gente licita são previamente acordadas com o Ibama. Uma vez oferecidas, não tem por que o licenciamento ambiental não sair se o trabalho de impacto ambiental for bem feito”, disse Décio Oddone, diretor-geral da ANP, em entrevista ao Estadão.

Mesmo de acordo com a modelagem existente hoje, teria 30% de chance de um derramamento de petróleo atingir os corais. Só que a estimativa de extensão dos recifes é muito maior. Isso muda a probabilidade de impacto, Thiago Almeida, especialista do Greenpeace em Energia

EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO EXISTE DESDE 1970
Não é nova a atividade de exploração de petróleo na região. As primeiras buscas por petróleo na bacia começaram em águas rasas, nos anos 1960. "Desde essa época, de 95 tentativas de produzir petróleo na bacia da Foz do Amazonas, nenhuma se mostrou técnica ou economicamente viável", conta Almeida. Além da Total e da BP, Queiroz Galvão, BHP, Ecopetrol e PetroRio são as empresas detentoras de blocos na região. Ao todo, doze blocos já foram licitados, segundo a ANP.

NOVAS FRONTEIRAS ESTÃO EM ÁGUAS PROFUNDAS
Atualmente, busca-se explorar petróleos no mar em águas profundas, a até 1.500 metros de profundidade. Para Almeida, o interesse das petroleiras na região existe pelo fato de águas profundas serem vistas como o futuro da exploração do óleo. "O valor das empresas está ligado a reservas que elas têm, mesmo que não esteja produzindo. A Agência Internacional de Energia estima que novas reservas virão de off-shore, virão do mar. As empresas estão olhando para isso", afirma.

VAZAMENTO EM 2010 "ASFALTOU" FUNDO DO MAR
Para comparar o efeito do vazamento de petróleo no mar, os especialistas lembram o ocorrido com a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010. Na ocasião, a plataforma da BP derramou 780 milhões de litros de óleo no oceano. Cerca de 10% do petróleo se espalhou e se fixou no fundo do mar devido ao uso de dispersante e à presença de sedimentos do rio Mississippi. Foi como se o óleo "pavimentasse" áreas enormes, como grandes "estacionamentos".

NOVOS LEILÕES ESTÃO PREVISTOS PARA 2019
Em meio à polêmica na Amazônia, a ANP anunciou que vai incluir blocos da bacia da Foz do Amazonas em rodada de licitações de blocos para exploração e produção de petróleo prevista para 2019.
ONGs, como o Greenpeace, pedem que as autoridades brasileiras cancelem todas as licenças de perfuração na bacia da Foz do Amazonas, tornando a região uma área oficialmente protegida. Francini lembra que o Brasil se comprometeu, na cúpula da biodiversidade realizada em Nagoya, no Japão, em 2010, a criar unidades de conservação em pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas até 2020. Hoje, essas áreas protegidas somam apenas 1,5%, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente.

A pasta abriu edital nesse ano para serviços de consultoria para criar uma unidade de conservação que seria batizada de “Recifes da Foz do Rio Amazonas”.
Para o procurador Joaquim Cabral, o aprofundamento dos estudos na região dariam maior certeza para decisões de se realizar ou não novos leilões de blocos de petróleo na foz do Amazonas. “Em relação aos leilões que já ocorreram, se o avançar das pesquisas mostrar que é inviável [a exploração de petróleo] dados os compromissos internacionais e a legislação ambiental interna, é possível o cancelamento”, afirma Cabral.

A ANP diz que todas as áreas oferecidas nas rodadas passam por análise ambiental prévia dos órgãos competentes, e as áreas com restrições ambientais são adaptadas ou excluídas das rodadas, conforme a orientação desses órgãos.
Por meio de nota, a Total afirma que “está avaliando o pedido do Ibama por informações técnicas relacionadas à exploração dos blocos da bacia da foz do Amazonas e que o processo de licenciamento ambiental segue em andamento.
A BP, também em nota, diz que está participando de audiências públicas realizadas pelo Ibama no âmbito do licenciamento ambiental para exploração de blocos de petróleo na região e que segue os requerimentos do processo.

Quando falta certeza científica das dimensões do dano ambiental que uma atividade econômica pode causar, na dúvida, preserva-se a natureza. É o princípio da precaução, que tem sido reconhecido pelos tribunais superiores, Joaquim Cabral, procurador do (MPF) Ministério Público Federal no estado do Amapá.

As novas estimativas mostram que os blocos de petróleo estão totalmente ou em parte sobrepostos às áreas dos recifes de corais. Além do mais, o mundo não pode queimar todas as reservas de petróleo que tem se quiser conter o aquecimento global, Ronaldo Francini, biólogo que pesquisa os corais da foz do Amazonas. Fonte: UOL Noticias -16 de novembro de 2017.



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segunda-feira, dezembro 04, 2017

O contraste entre Boas e Péssimas Práticas em solda elétrica



   

                  
Péssimas Práticas

Riscos-Consequências
Boas Práticas
1 – Nenhuma proteção facial, apenas óculos de segurança
Queimadura nos olhos
1- Com proteção facial
2 – Nenhuma proteção para os braços e mãos
Queimadura
2 – Com proteção para os braços e mãos
3- Vestuário exposto
Incêndio
3 – Com vestuário adequado, jaqueta
4 – Exposição a solvente
Incêndio/explosão, vapor tóxico
4 – Proteção facial e coifa
5 – O vigia, exposto a arco elétrico
Arco elétrico  nos olhos
5 – Eliminou o vigia, devido às condições seguras do local
6 – Balde com areia para combater incêndio elétrico, inadequado
Choque elétrico
6 – Extintor de incêndio
7 – Nenhum sistema de coifa
fumos
7 – Sistema de coifa
 8 – Sem aterramento
Choque elétrico
8 – Com aterramento
9 – Perigos nos cabos elétricos
Arco elétrico, queimadura, choque elétrico
9 – com aterramento
Fonte: TWI World Centre for Material Joining Technology

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sexta-feira, dezembro 01, 2017

Memória: Incêndio Gran-Circo Norte-Americano em Niterói

Dia 17 de dezembro de 1961, o que poderia ser uma agradável tarde circense em Niterói (RJ) transformou-se na maior tragédia ocorrida em circo no Brasil.

Vinte minutos antes de terminar o espetáculo do circo, às 15 h 45 min, um incêndio tomou conta da lona,  no exato momento em que a trapezista acabava de dar seu salto tríplice e cair na rede de proteção:. 
Em três minutos, o toldo, em chamas, caiu sobre os 2.500 espectadores, das quais 800 crianças.

PÂNICO
Em pânico e com medo das feras que se agitavam nas jaulas nos fundos do circo, uma multidão tentou fugir pela porta central de saída, uma armação em forma de túnel. Centenas de pessoas morreram queimadas e pisoteadas no local. A saída foi obstruída pelos corpos amontoados.

INSTITUTO MÉDICO LEGAL –IML
No Instituto Médico-Legal foram recolhidos 251 corpos, dos quais 23 ainda não identificados. Como não havia espaço no IML de Niterói, vários corpos estavam sendo recolhidos às câmaras de estocagem de carne bovina das Indústrias Frigoríficas Maveroy.

ATENDIMENTO HOSPITALAR
Desde o inicio da tragédia, 12 médicos da equipe de cirurgiões plásticos de Ivo Pitangui estão em Niterói, operando. Seis médicos argentinos, especialistas em cirurgia plástica, vieram ao Rio, com uma tonelada de medicamentos.
Os EUA forneceram 300 metros quadrados de pele humana congelada para ser usada no tratamento das vítimas.

VÍTIMAS
Em 18/12/1961, a estimativa de mortes era 330, a maioria crianças e pelo menos 200 feridos hospitalizados em Niterói e Guanabara e a maior parte destes se acha em estado grave, sendo que muitos provavelmente não sobreviverão.

CONTROVÉRSIA NO NÚMERO DE VÍTIMAS
■Em alguns jornais brasileiros publicaram um saldo de 330 mortes e 400 feridos
■Nos jornais internacionais publicaram um saldo de 383 mortes e 800 feridos
■Nas principais revistas médicas de cirurgias plásticas, publicaram 500 mortes.
■Na autobiografia do cirurgião plástico Ivo Pitangui, menciona 500 mortes

CAUSA DO INCÊNDIO
Criminoso. Jogaram gasolina da tenda do circo.
"Enquanto Valter Rosas dos Santos jogava gasolina pelo lado de fora do circo, Adílson Marcelino Alves assistia, ao espetáculo. Cinco minutos antes de terminar o show, saiu", contou aos policias na presença dos jornalistas.

CONDENAÇÃO
Três homens foram considerados culpados pelo incêndio, Adílson Marcelino Alves e Valter Rosa dos Santos foram condenados a 16 anos de reclusão. José dos Santos terá de cumprir 14 anos de prisão. A condenação de Adílson, vulgo Dequinha, equivale à prisão perpétua, pois sendo doente mental, a cada seis anos será submetido a um teste psiquiátrico.
Fonte: Universidade Federal Fluminense/História; Tribuna da Imprensa e Diário da Tarde, no período de  18 a 22 de dezembro de 1961

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